sábado, 10 de setembro de 2011

Texto com interpretação

Mãe com medo de lagartixa

Ana Maria Machado

Era uma vez uma mãe... que tinha medo de lagartixa.
No resto, era valente: ficava sozinha, cantava no escuro, tomava sopa quente.
Era mesmo corajosa: enfrentava barata, discutia com o chefe, tomava injeção toda
prosa.
De bicho de pena e de bicho de pêlo, ela gostava muito. Filho dela podia ter cachorro, gato, coelho, periquito, curió, canário, porquinho-da-índia.
Nem que fosse tudo ao mesmo tempo, ela não se incomodava, até animava, mais ainda inventava.
Peixe e jabuti, também, ela deixava como ninguém. E tinha aquário redondo com peixe vermelho e tinha varanda vermelha com jabuti redondo.
Se os filhos descobrissem macaco com asa, ela era capaz de deixar em casa.
Se para uma vaca encontrassem lugar, não ia ser ela quem ia atrapalhar.
Se na área um cavalo coubesse direito, a meninada ia logo dar jeito, e ela na certa ia achar perfeito.
Mas sapo? Minhoca? Perereca? Camaleão?
Nem queria saber. Disfarçava e ia se esconder.
Os filhos explicavam:
— Mamãe, que é que tem? Um bicho tão bonzinho, não faz nada, olha aí!
Ela olhava. Mas não gostava.
E aqueles lagartinhos nas pedras-do-sol?
— Um bichinho à-toa, mãe, deixe de ser boba!
Mas aí ela era boba. Tão boba que no caminho da praia, pelo meio do matinho, ia pisando forte e falando alto, fazendo barulho só para assustar os lagartinhos – que saíam correndo, morrendo de medo de uma mulher tão grande e barulhenta.
Mas o medo maior era o que a mãe tinha de lagartixa.
— Um perigo dentro de casa! Pode atacar a qualquer instante!
— Atacar, mãe? Que idéia – ria Antônio.
— Que gracinha, mãe. Olha aquela lagartixa lá no alto da parede – mostrava João.
— É mesmo, branquinha e transparente, de cabeça em pé. Parece filhote de jacaré – dizia Luísa.
Não adiantava. Ela não gostava.Um dia, resolveram pregar uma peça nela.
Na saída da escola, tinha um vendedor de bala, estalinho, pirulito e brinquedo.
Brinquedos gozados: baratas e aranhas de plástico, lagartixas de mentirinha.
Compraram duas e levaram para casa. Puseram uma na gaveta, outra na prateleira, ao lado.
Quando ela chegou do trabalho e foi mudar a roupa, foi um susto. Quer dizer, primeiro foi um:
— Ai! Me ajudem! Antônio! Luísa! João!
Depois foram dois sustos:
— Depressa! Vem cá todo mundo!
Os meninos foram correndo. E viram a mãe tremendo.
— Uma lagartixa horrorosa! Subiu pelo meu braço e correu para a gaveta! E tem outra medonha ali na prateleira... Pelo amor de Deus, vocês peguem esses bichos horríveis, que eu não agüento nem ver!
Os meninos se olharam enquanto ela saía:
— E lagartixa de brinquedo sobe pelo braço?
— Será que tem alguma de verdade?
Olharam bem. Não tinha. Só as mesmas, de brinquedo. E ela com tanto medo! Que mãe fiteira! E, ainda por cima, inventadeira...
Foram rir dela, numa grande gozação: mas chegaram na sala e não riram. Porque que ela falou foi assim:
— Que bom que vocês estavam em casa. Vocês são tão corajosos... Fico tão orgulhosa de meus filhos que não têm medo e tomam conta de mim...
E, sentada no sofá, abraçou os três ao mesmo tempo, fechou os olhos, encostou a cabeça neles, feito menina pequena.
E eles se olharam e entenderam.
Todo mundo tem seu medo, cada um tem seu segredo. Quem parece sempre forte, no fundo é meio sem sorte: tem que agüentar bem sozinho, sem ajuda nem carinho:
— A mãe é que nem a gente.
E gente se assusta, chora, ri, fala, inventa, conta, grita e cochicha. E pode até ter medo de lagartixa.
Alguns medos e seus segredos. Rio de Janeiro, Nova Fronteira.


Leia o texto , marque a resposta correta:
1 - Marque a alternativa em que a mãe estimula seus filhos a terem bicho:
A) “enfrentava barata, discutia com o chefe”.
B) “ela não se incomodava, até animava.”
C) “se os filhos descobrissem macaco com asa, ela era capaz de deixar em casa.”
D) “de bicho de pena e de bicho de pêlo, ela gostava muito.”
E) “peixe e jabuti, também, ela deixava como ninguém”

2 - Marque a alternativa em que os fatos abaixo estejam colocados em ordem
cronológica:
I - Os filhos verificaram se havia uma lagartixa de verdade.
II - Os filhos viram a mãe tremendo.
III - Os filhos correram até o quarto da mãe.
IV - Os filhos ficaram se olhando.

A) I, IV, III, II
B) III, IV, II, I
C) I, III, IV, II
D) III, II, IV, I
E) II, IV, III, I

4 - A mãe, depois de ter encontrado a lagartixa, foi para a sala. Os filhos, de acordo com o texto, entenderam que:
A) cada um tem o seu próprio medo.
B) envergonharam-se do que tinham feito.
C) a mãe, sendo igual a eles, era infantil.
D) é preciso ser forte diante das situações.
E) não se deve assustar ninguém

5 - A mãe descrita é bastante tolerante. O argumento usado pelo narrador para expressar a demonstração máxima de tolerância dessa mãe está na alternativa:
A) ela até animava os filhos a terem bicho.
B) ela deixava os filhos terem peixe e jabuti.
C) era capaz de deixar em casa um macaco com asas, se os filhos descobrissem um.
D) enfrentava barata, discutir com o chefe.
E) de bicho de pena e de bicho de pêlo, ela gostava muito.
6 - Uma das falas da mãe refere-se a um fato que parece não ser verdadeiro e pode ser
atribuído ao susto de se deparar com duas lagartixas. Identifique essa fala e marque a alternativa que explica por que o fato não deve ser verdadeiro:
A) “e lagartixa de brinquedo sobe pelo braço?”
B) “um perigo dentro de casa! Pode atacar a qualquer instante.”
C) “ao se deparar com a lagartixa, a mãe pede socorro.”
D) “poderia haver alguma lagartixa de verdade no quarto.”
E) “ – Um bichinho à-toa, mãe, deixe de ser boba!”

7 - Assinale o item que não indica uma atitude da mãe:
A) proporciona aos filhos uma vida em contato com os animais.
B) é bastante corajosa, na visão dos filhos, em determinadas circunstâncias.
C) perturba o ambiente familiar com excesso de tolerância ou mentiras.
D) é muito medrosa, quando se trata de certos animais.
E) é considerada pelos filhos, sobretudo quando se depara com lagartixas, como uma
criança.
8 - Na frase “A mãe é que nem a gente”, os termos sublinhados expressam juntos a
idéia de:
A) adição
B) finalidade
C) conseqüência
D) causa
E) comparação

9 – A idéia principal desse texto é:
A) a mãe amava os filhos e fazia tudo para agradá-los.
B) todas as pessoas se assustam, choram, riem, inventam, inclusive, sentem medo.
C) a mãe parecia uma menina quando sentia pavor de lagartixa.
D) os adultos também mentem como crianças.
E) a mãe é uma pessoa boba, porque sente medo de lagartixa.

10 - “Um dia, resolveram pregar uma peça nela” A expressão sublinhada retirada do texto pode ser substituída por:
A) fazer uma brincadeira
B) colocar à prova

Interpretação escrita
Responda:

1 – Qual era o maior medo da mãe?

2 – Você tem medo de alguma coisa? De quê?

3 – E sua mãe? Ela tem medo de quê?
4 – Quais os bichos que aparecem no texto?
5 – Escreva os nomes dos bichos que a mãe deixava ter em casa, mas que não eram comum ter.



A Galinha e os Ovos de Ouro

Um camponês e sua esposa possuiam uma galinha, que todo dia sem falta, botava um ovo de ouro. Supondo que dentro dela deveria haver uma grande quantidade de ouro, eles então a sacrificam, para enfim pegar tudo de uma só vez. Então, para surpresa dos dois, viram que a ave, em nada era diferente das outras galinhas. Assim, o casal de tolos, desejando enriquecer de uma só vez, acabam por perder o ganho diário que já tinham assegurado.
Autor: Esopo
Moral da História: Quem tudo quer, tudo perde.

Fábulas Ilustradas: A Galinha e os Ovos de Ouro - © Copyright 1998-2009
Questões Sobre a Fábula
1. Que tipo de benefício proporcionava a Galinha todos os dias para seus donos?
2. Por que os camponeses resolveram sacrificar a Galinha? Eles lucraram com isso?
3. Você é capaz de dizer qual o sentimento que motivou os camponeses a sacrificarem o animal?
4. Você seria capaz de descrever, com suas palavras, o significado da Moral da Fábula?









A Águia e a Gralha

Uma Águia, saindo do seu ninho no alto de um penhasco, capturou uma ovelha e a levou presa às suas fortes garras. Uma Gralha, que testemunhara a tudo, tomada de inveja, decidiu que poderia fazer a mesma coisa. Ela então voou para alto e tomou impulso, e com grande velocidade, atirou-se sobre uma ovelha, com a intenção de também carregá-la presa às suas garras. Ocorre que estas acabaram por ficar embaraçadas no espesso manto de lã da Ovelha, e isso a impediu inclusive de soltar-se, embora o tentasse com todas as suas forças. O Pastor das ovelhas, vendo o que estava acontecendo, capturou-a. Feito isso, cortou suas penas, de modo que não pudesse mais voar. À noite a levou para casa, e entregou como brinquedo para seus filhos. “Que pássaro engraçado é esse?”, perguntou um deles. “Ele é uma Gralha meus filhos. Mas se você lhe perguntar, ele dirá que é uma Águia.”
Autor: Esopo
Moral da História: Não devemos permitir que a ambição nos conduza para além dos nossos limites.

Questões Sobre a Fábula
1. Que tipo de sentimento humano quis o autor representar na fábula?
2. A Gralha foi bem sucedida ao tentar imitar a Águia? Na sua opinião, Por quê?
3. Você seria capaz de descrever, com suas palavras, o significado da Moral da Fábula?






O Mosquito e o Touro
Um Mosquito que estava voando, a zunir em volta da cabeça de um Touro, depois de um longo tempo, pousou em seu chifre, e pedindo perdão pelo incômodo que supostamente lhe causava, disse: “Mas, se, no entanto, meu peso incomoda o senhor, por favor é só dizer, e eu irei imediatamente embora!” Ao que lhe respondeu o Touro: “Oh, nenhum incômodo há para mim! Tanto faz você ir ou ficar, e, para falar a verdade, nem sabia que você estava em meu chifre.” Com frequência, diante de nossos olhos, julgamos-nos o centro das atenções e deveras importantes, bem mais do que realmente somos diante dos olhos do outros.
Autor: Esopo
Moral da História: Quanto menor a mente, maior a presunção.

Questões Sobre a Fábula
1. Ao pousar sobre o chifre do Touro, por que o Mosquito julgou que o estivesse incomodando? xxxx
2. Sentiu-se o Touro incomodado com a presença do mesmo? xxxx
3. Queria o Autor representar para nós, através da fábula, algum sentimento próprio da natureza humana? Supondo que essa fosse sua intenção, na sua opinião, qual seria este sentimento? xxxx
4. Você seria capaz de descrever, com suas palavras, o significado da Moral da Fábula?








Os Viajantes e a Bolsa de Moedas

Dois homens viajavam juntos ao longo de uma estrada, quando um deles encontrou uma bolsa cheia de alguma coisa. E ele disse: “Veja que sorte a minha, encontrei uma bolsa, e a julgar pelo peso, deve estar cheia de moedas de ouro.” E lhe diz o companheiro: “Não diga encontrei uma bolsa; mas, nós encontramos uma bolsa, e quanta sorte temos. Amigos de viagem devem compartilhar as tristezas e alegrias da estrada.” O “sortudo”, claro, se nega a dividir o achado. Então escutam gritos de: “Pega ladrão!”, vindo de um grupo de homens armados com porretes, que se dirigem, estrada abaixo, na direção deles. O viajante “sortudo”, logo entra em pânico, e diz. “Estamos perdidos se encontrarem essa bolsa conosco.” Replica o outro: “Você não disse ‘nós’ antes. Assim, agora fique com o que é seu e diga, ‘Eu estou perdido’.”
Autor: Esopo
Moral da História: Não devemos exigir que alguém compartilhe conosco as desventuras, quando não lhes compartilhamos também as nossas alegrias.

Questões Sobre a Fábula
1. Ao encontrarem a bolsa com moedas à beira da estrada, os dois viajantes, entre si, resolveram compartilhar do achado?
2. Na sua opinião, os dois viajantes eram amigos?
3. O autor tenta simbolizar para nós algum sentimento humano a partir da parábola? Você saberia identificar qual seria, caso houvesse, esse sentimento?
4. Você seria capaz de descrever, com suas palavras, o significado da Moral da Fábula?






A Formiga e a Pomba

Uma Formiga foi à margem do rio para beber água, e sendo arrastada pela forte correnteza, estava prestes a se afogar. Uma Pomba, que estava numa árvore sobre a água observando a tudo, arranca uma folha e a deixa cair na correnteza perto da mesma. Subindo na folha a Formiga flutua em segurança até a margem. Eis que pouco tempo depois, um caçador de pássaros, oculto pelas folhas da árvore, se prepara para capturar a Pomba, colocando visgo no galho onde ela repousa, sem que a mesma perceba o perigo. A Formiga, percebendo sua intenção, dá-lhe uma ferroada no pé. Do susto, ele deixa cair sua armadilha de visgo, e isso dá chance para que a Pomba desperte e voe para longe, a salvo.
Autor: Esopo
Moral da História: Nenhum ato de boa vontade ou gentileza é coisa em vão.

Questões Sobre a Fábula
1. Você é capaz de identificar quais os tipos de sentimentos que o autor tenta representar na fábula?
2. Por que a Pomba resolveu ajudar a Formiga? Como foi que ela ajudou?
3. O que a Formiga fez para retribuir o favor recebido? O que aconteceu depois?
4. Você seria capaz de descrever, com suas palavras, o significado da Moral da Fábula?






A Lebre e a Tartaruga
Um dia, uma Lebre ridicularizou as pernas curtas e a lentidão da Tartaruga. A Tartaruga sorriu e disse: "Pensa você ser rápida como o vento; Mas Eu a venceria numa corrida." xxxxA Lebre claro, considerou sua afirmação algo impossível, e aceitou o desafio. Convidaram então a Raposa, para servir de juiz, escolher o trajeto e o ponto de chegada. xxxxE no dia marcado, do ponto inicial, partiram juntos. A Tartaruga, com seu passo lento, mas firme, determinada, em momento algum, parou de caminhar. xxxxMas a Lebre, confiante de sua velocidade, despreocupada com a corrida, deitou à margem da estrada para um rápido cochilo. Ao despertar, embora corresse o mais rápido que pudesse, não mais conseguiu alcançar a Tartaruga, que já cruzara a linha de chegada, e agora descansava tranqüila num canto. xxxx
Autor: Esopo
Moral da História: Ao trabalhador que realiza seu trabalho com zelo e persistência, sempre o êxito o espera.

Questões Sobre a Fábula
1. Na sua opinião, Por que a lebre aceitou o desafio da Tartaruga?
2. O que aconteceu depois que os dois competidores partiram do ponto inicial?
3. Você consegue relatar alguma situação da vida real que se assemelhe ao exemplo da fábula?
4. Você seria capaz de descrever, com suas palavras, o significado da Moral da Fábula?










O menino azul

O menino quer um burrinho E os dois sairão pelo mundo
para passear. que é como um jardim
Um burrinho manso, apenas mais largo
que não corra nem pule, e talvez mais comprido
mas que sabe conversar. e que não tenha fim.

O menino quer um burrinho Quem souber de um burrinho desses,
que saiba dizer pode escrever
o nome dos rios, para Rua das Casas,
das montanhas, das flores, número das Portas,
-de tudo o que aparecer. ao Menino Azul que não sabe ler.

O menino quer um burrinho (Cecília Meireles et al. Para gostar de ler: poesias)
que saiba inventar
histórias bonitas
com pessoas e bichos
e com barquinhos no mar.

Interpretação

1- Que tipo de texto é esse?

2- Retire os pares de rimas presentes no texto.

3- Por que você acha que o menino quer justamente um burrinho e não outro animal?

4- Copie do texto os versos que revelam como o menino acha que é o mundo.

5- Essa forma de ver o mundo revela que característica do menino?

6- Observe os versos:
“O menino quer um burrinho
que saiba dizer
o nome dos rios,
das montanhas, das flores,
-de tudo o que aparecer.”

Explique por que o menino quer um burrinho que saiba tantas coisas

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